Ex-presidente da OAB de Pernambuco diz que Bolsonaro é ‘maluco’

O advogado criticou as recentes declarações do presidente sobre o pai do presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz.
O advogado criticou as recentes declarações do presidente sobre o pai do presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz. (Imagem: Marcos Corrêa/PR)

O ex-presidente da OAB em Pernambuco, Ronnie Preuss Duarte, utilizou suas redes sociais para criticar o presidente Jair Bolsonaro. Por meio de uma postagem do Facebook, o advogado caracterizou o chefe do Executivo Nacional como “maluco”, ao analisar as recentes declarações do presidente sobre o pai do atual dirigente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz.

“Se um dia o presidente da OAB quiser saber como o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele”, afirmou Bolsonaro em um vídeo gravado por jornalistas. “Não é minha versão, é que a minha vivência me fez chegar a essas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, completou.

Em sua publicação, Ronnie Duarte afirmou que o comentário foi desumano e que “representa uma indescritível violência à memória de tantas vítimas de confessados (e criminosos) excessos praticados por parte do Estado durante o Regime Militar”.

“Os reiterados comentários do nosso ‘líder maior’, sempre carregados de ódio e de ignorância, direcionados às mais variadas instituições e pessoas, amesquinham a imagem do nosso País perante o mundo civilizado. Uma enorme pena”, criticou.

Por meio de nota, a diretoria nacional da OAB também se pronunciou contrariamente às declarações. “A diretoria, o Conselho Pleno do Conselho Federal da OAB e o Colégio de Presidentes das 27 Seccionais da OAB repudiam as declarações do Senhor Presidente da República e permanecerão se posicionando contra qualquer tipo de retrocesso, na luta pela construção de uma sociedade livre, justa e solidária, e contra a violação das prerrogativas profissionais”, aponta o texto.

Confira a nota na íntegra:

“A Ordem dos Advogados do Brasil, através da sua Diretoria, do seu Conselho Pleno e do Colégio de Presidentes de Seccionais, tendo em vista manifestação do Senhor Presidente da República, na data de hoje, 29 de julho de 2019, vem a público, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 44, da Lei nº 8.906/1994, dirigir-se à advocacia e à sociedade brasileira para afirmar o que segue:

1. Todas as autoridades do País, inclusive o Senhor Presidente da República, devem obediência à Constituição Federal, que instituiu nosso país como Estado Democrático de Direito e tem entre seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da memória dos mortos.

2. O cargo de mandatário da Chefia do Poder Executivo exige que seja exercido com equilíbrio e respeito aos valores constitucionais, sendo-lhe vedado atentar contra os direitos humanos, entre os quais os direitos políticos, individuais e sociais, bem assim contra o cumprimento das leis.

3. Apresentamos nossa solidariedade a todas as famílias daqueles que foram mortos, torturados ou desaparecidos, ao longo de nossa história, especialmente durante o Golpe Militar de 1964, inclusive a família de Fernando Santa Cruz, pai de Felipe Santa Cruz, atingidos por manifestações excessivas e de frivolidade extrema do Senhor Presidente da República.

4. A Ordem dos Advogados do Brasil, órgão máximo da advocacia brasileira, vai se manter firme no compromisso supremo de defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, e os direitos humanos, bem assim a defesa da advocacia, especialmente, de seus direitos e prerrogativas, violados por autoridades que não conhecem as regras que garantem a existência de advogados e advogadas livres e independentes.

5. A diretoria, o Conselho Pleno do Conselho Federal da OAB e o Colégio de Presidentes das 27 Seccionais da OAB repudiam as declarações do Senhor Presidente da República e permanecerão se posicionando contra qualquer tipo de retrocesso, na luta pela construção de uma sociedade livre, justa e solidária, e contra a violação das prerrogativas profissionais.”

Por Stephanie D’ávila – 30/07/2019

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