
CONSTRUÇÃO INACABADA
Nós, brasileiros fomos socialmente construídos de acordo com os princípios e valores estabelecidos pelos nossos colonizadores e um dos pilares da nossa construção foram as religiões, tanto que a primeira igreja do Brasil foi erguida por dois frades franciscanos em 19 de junho de 1505, a Igreja de São Francisco de Assis do Outeiro da Glória, mas só em 1549 foi construída a primeira instituição de ensino, denominada de Colégio de Salvador da Bahia, pelo jesuíta Manoel da Nóbrega, que basicamente consistia em ensinar a ler, contar e a respeitar os princípios católicos, ora! Trazendo para o nosso momento, percebemos então que as pessoas foram educadas a crer e não a “pensar”, ou seja, dificuldades em racionalizar e a desenvolver um raciocínio lógico. Isso também acarretou em uma educação socialmente isolada, onde passamos a enxergar o mundo como sendo apenas o nosso espaço, e isso se acentuou com as limitações territoriais, politicas e culturais estabelecidas pelos sucessivos governos.
UM NOVO OLHAR…
Quando nos deparamos com uma pandemia desse nível, causado por um ser unicelular, minúsculo, denominado de Novo Coronavírus, naturalmente nossa população, em regra, não observará pelo olhar da ciência, mas pelo olhar do primitivismo social, mesmo tendo o conhecimento básico das ciências naturais apresentadas na educação fundamental e no ensino médio, porque durante séculos a educação religiosa naturalmente prevaleceu, e isso não é uma posição contrária às religiões, mas uma constatação da conduta social diante de um acontecimento mundial, onde a tecnologia e a ciência médica é a principal arma de combate a essa outra forma de vida. Essa conduta social baseada na “crença” provoca então uma espécie de indisciplina social, por isso a necessidade da informação diária sobre como devemos nos comportar diante do atual quadro trágico da humanidade, extraindo de nós a visão de cidadãos localizados, e que o mundo não é só aqui e que estamos interligados direta ou indiretamente além das fronteiras territoriais.
UM “NOVO NORMAL”
Um especialista em cenários de risco global, Toni Timoner, de uma instituição financeira de Londres, escreveu um artigo, onde definiu a atual situação universal como Instável a partir da COVID-19, do ponto de vista econômico e social, segundo ele, haverá empobrecimento geral.
Ora, se antes vínhamos caminhando numa harmonia econômica globalizada, agora haverá uma assincronia, onde será necessário um grande esforço de todos os países para reestabelecer a saúde econômica dos países afetados, com o objetivo de restaurar o prejuízo econômico causado pela COVID-19. A conclusão é que o Coronavírus será um espinho na globalização e a pandemia se tornará um trágico manual, uma espécie de unknown, que naturalmente alterará o curso da nossa história.
VIDA QUE SEGUIRÁ…
Como foi dito pelo escritor francês Jean Paul Sartre (1905-1980).”O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós.” Ou seja, o que vai nos interessar daqui por diante, é saber o que vamos fazer com o que essa Pandemia está nos ensinando. Algumas coisas ficaram claras, como a fragilidade do capitalismo, a dependência do Estado, a estrutura da saúde pública e a educação social. Diante da COVID-19, percebemos então que o dinheiro não tem ideias e que diante da quarentena sabemos que quando há uma interrupção abrupta em qualquer rotina social ou funcional, o impacto imediato se dá na nossa conduta emocional, para lidarmos com regras sociais alheias a nossa vontade e a nossa estrutura organizacional. Todavia, concluo com outra frase de Jean Paul Sarte, quando ele diz: “Se você sente tédio quando está sozinho é porque está em péssima companhia”.
Por Carlos Silva – Cientista Social e Analista Político







