
Adolescentes atendidos no Centro de Internação Provisória (Cenip) da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) em Caruaru estão sendo integrados em um projeto de leitura desenvolvido em grupo, com o apoio de uma pedagoga e de uma assistente social. Duas vezes por semana, durante os quase 45 dias que aguardam a sentença judicial, os socioeducandos se reúnem para compartilhar as histórias que conheceram e tomar emprestados novos livros para serem lidos em seus alojamentos.
O projeto, que nasceu há dois meses, foi pensado para superar um desafio desse tipo de atendimento: o pouco tempo que os internos permanecem no local e, consequentemente, a alta rotatividade da unidade. Atualmente, 17 socioeducandos participam da ação. “Sempre tivemos a consciência de que esses meninos não podem sair do mesmo jeito que entraram. Então, mesmo com apenas 45 dias para trabalhar com eles, temos realizado atividades que criam bases para os caminhos que eles vão seguir depois, seja a ida para uma medida socioeducativa em outra unidade da Funase, seja uma medida em meio aberto. Meninos que chegam sem saber assinar o nome vão para as audiências já assinando”, afirma a coordenadora geral do Cenip Caruaru, Maria Clara Amorim.
Sempre que terminam de ler um livro, os socioeducandos têm que escrever um resumo em uma ficha apropriada, que é anexada à documentação deles e acessada por promotores, defensores públicos e juízes responsáveis pelos processos. Também é essa a condição para que um novo livro seja emprestado no espaço de leitura do Cenip Caruaru. “A gente vê que eles cuidam, não rasgam, não amassam. É algo que mostra o valor que estão dando à leitura”, detalha a pedagoga Maurinúbia Moura. “Entre eles mesmos, estão estabelecendo essa cultura da leitura. Às vezes, um adolescente recém-chegado nem passou pelo primeiro atendimento e já está pedindo livro para ler, influenciado pelos colegas”, explica a assistente social Natália de Melo, também idealizadora do projeto.
Por Patriota Júnior – 19/11/2019







