Justiça determina reintegração de peça em programação do Festival de Inverno de Garanhuns

O espetáculo deve voltar à grade do evento ainda nesta quarta-feira (25). (Imagem: Divulgação)

A peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu” deve voltar a integrar a programação da 28ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns ainda nesta quarta-feira (25). O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) recomendou que o espetáculo retorne à grade do evento no prazo de 24 horas.

A liminar foi concedida pelo desembargador Silvio Neves Baptista Filho e aponta que a apresentação estimula a conscientização e a reflexão. “A atração nada mais é do que um drama teatral, que busca conscientizar e estimular a reflexão sobre a discriminação social de uma minoria, especialmente das transexuais e travestis”, indica o texto.

Inicialmente, o espetáculo seria realizado nesta quinta-feira (26), às 23h, mas foi cancelado devido à pressão de setores religiosos. No final do mês de junho, o prefeito Izaias Regís se negou a ceder o espaço do Centro Cultural de Garanhuns para que houvesse a encenação.

Até o momento, os detalhes sobre a realização da peça não foram divulgados. No entanto, a determinação do Tribunal de Justiça fixa uma multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

A peça

O espetáculo “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu” é estrelado pela atriz transexual Renata Carvalho e faz uma releitura de Jesus como se ele vivesse nos dias atuais como uma travesti. Em entrevista à Rádio Cultura, a atriz descreveu a trama e explicou seu objetivo.

“A pergunta do espetáculo é ‘e se Jesus voltasse, nos dias de hoje, como uma travesti?’ Então, a Jo Clifford, que é uma autora escocesa, traz essa hermenêutica de quem seria hoje a população que seria perseguida, assassinada, espancada e coloca a população trans”, declarou.

Para Renata, a desaprovação de alguns grupos com relação à peça traduz o imaginário social em relação à figura da travesti. “O que causa tanto ódio, tanta perseguição à peça é que nós corporificamos Jesus num corpo travesti. Jesus é a imagem e a semelhança de todo mundo, menos de nós, pessoas trans. É inapropriado, é sexualizado. O problema é a imagem que as pessoas têm em cima da travesti”, defendeu.

Segundo ela, esse é o real objetivo da apresentação. “O espetáculo, na verdade, fala exatamente sobre isso. Sobre essa exclusão da população [trans], mas ele fala sobre amor, sobre perdão, sobre tolerância”, explicou.

Por Stephanie D’ávila – 25/07/2018

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