[OPINIÃO] Um dia para infâmia! E o que nós temos com isso? Tudo!


Não era o Iraque, ou um país do oriente médio, marcado pela teocracia, nem uma republiqueta ditatorial populista da América do Sul. As cenas de invasão ao Congresso dos Estados Unidos demonstram ao mundo que mesmo a chamada “maior” democracia do mundo pode ser atacada de forma violenta.

Na quarta-feira, o mundo assistiu, atônito, cenas impressionantes de um ataque à democracia americana. O Capitólio, a casa que congrega o centro legislativo dos Estados Unidos, foi objeto de uma invasão sem sentido, sem propósito e desesperada, feita por fascistas radicais, que protestavam contra o resultado eleições presidenciais.

A invasão deve ser atribuída ao Presidente Trump, que alimentou teorias da conspiração e atraiu, como um imã, radicais de todas as matizes ideológicas da extrema direita, criando um ambiente de tumulto nos meios político, jurídico e institucional. Mas a pergunta é: como se chegou a esse ponto?

Mesmo eleito pelas vias democráticas, Donald Trump insistia, ainda em 2016, que a eleição foi fraudulenta (percebem algo familiar?). A personalidade de Trump, que não reconheceu a derrota, e, ainda no período eleitoral, sabendo que estava atrás de Joseph R. Biden nas pesquisas, sustentou, meses antes da eleição, a narrativa de que a eleição presidencial seria fraudada. Com o argumento amparado em uma fraude não provada, o Presidente americano aduziu que não aceitaria os resultados se eles não o confirmassem como eleito.

Em um ato transloucado, sem precedente para a democracia americana, Donald Trump alegou, no dia da eleição, que havia vencido. Muitos acreditaram nele.

Aristóteles, na magistral obra Política, já alertava e temia que, em uma democracia, um demagogo rico e talentoso pudesse facilmente dominar as mentes da população. E não deu outra, a postura de Donald Trump de desrespeito à democracia foi ecoada sem freios, sem contra pesos. O seu partido republicano, com as honrosas exceções, não se contrapôs aos impulsos irresponsáveis de Donald Trump e, no dia 6 de janeiro, um homem mergulhado em sua vaidade e sede de poder, sem pudores incentivou a marchar sobre o Capitólio dos Estados Unidos.

A ficção montada por Trump foi aceita em grande medida por muitos dos que deveriam cuidar do ambiente democrático. A narrativa insana floresceu, e todos toleraram o Presidente falastrão que mentia e criava fake-news, que brigava com a impressa e condenava as instituições e, principalmente, questionava a validade dos votos eleitorais (outra coincidência).

O show estava montado. Uma fraude, um presidente forte, mas perseguido pela grande mídia, e milhares de seguidores que deveriam, a todo custo, exercer pressão no Congresso para que o resultado das urnas americanas não fosse validado. Como sabemos, empreitada terminou em morte, feridos e prisões. O ataque não prosperou, e o alerta foi ligado, não lá, mas aqui, no Brasil.

O que assistimos no Congresso americano pode ter sido uma amostra do nosso futuro.

Por João Américo – 11/01/2021