[OPINIÃO] Eleições 2020: o elefante no meio da sala

Como em todo ano eleitoral as forças políticas locais, situação e oposição, começaram logo após a virada do ano, o famoso freio de arrumação de seus grupos políticos. Cooptar pré-candidatos a vereadores e partidos passou a ser a palavra de ordem. Divulgar apoios, jantares e encontros com lideranças políticas em redes sociais foram comportamento padrão. Afinal, quanto mais apoio se atrai, mais a viabilidade eleitoral se demonstra.

Tudo isso tendo como metas: demonstrar força, mobilizar aliados e atrair/ fidelizar o eleitor para a pré-campanha que se avizinhava. Todos esses atores, procurando alavancar seus nomes e conquistar a pole position. Estávamos numa espécie de teste classificatório, como no automobilismo.

Esperava-se nesse ano uma campanha dura para o Governo, onde a Prefeita seria pressionada a explicar o porquê de algumas promessas tão vistosas da campanha anterior terem sido negligenciadas: transferência da feira sem custos, os problemas nas licitações municipais, a inoperância dos dois primeiros anos de governo que culminaram com uma reforma geral do secretariado, a conta gotas mas geral. E a cereja do bolo, a faraônica promessa das 8 mil vagas de creches.

Nesse cenário teríamos uma campanha com a gestão encurralada e uma oposição com a faca e o queijo na mão. Todas as pesquisas, divulgadas até aqui, acenderam as luzes de alertas pois apresentam taxas de aprovação baixas, intenções de votos risíveis e rejeição preocupantes.
Porém, todo esse cenário montado que pressionava a Prefeita e mostrava o caminho aberto a ser aproveitado pela oposição. Sofreu uma reviravolta brutal.

A pandemia do Covid 19, tirou de cena a pauta política local. Sobrepujada pela: cobertura da expansão da doença e das ações em nível federal, estaduais e municipais. Dando a gestão local o monopólio dos holofotes nesse momento.

Se antes havia um leque de opções para alfinetar a Prefeita, agora não se encontra ressonância. Pois todo discurso de crítica, nesse momento, será visto como oportunismo ou insensibilidade frente ao desafio da pandemia. Afinal bastará dizer que o momento é de união e não de personalismos, de político com P maiúsculo, de estadistas e não de populistas.

A pandemia, os bloqueios e as paralizações de maneira indireta, ou até mesmo diretamente favorecem politicamente a campanha da Prefeita: pois tudo o que foi prometido e não feito, todas as falhas e contradições poderão ser colocadas na conta do vírus.

A Prefeita, se for hábil, usará esse momento para fortalecer a imagem de gestora preocupada com o bem estar da população, e acima das rinhas políticas, ser capaz de sacrificar a sua reeleição em prol da população.

De um ano que começou com o fortalecimento da oposição, foi totalmente virado de ponta cabeça, a pandemia mudou tudo. Com pré-candidatos a Prefeito buscando manterem suas cabeças acima da enxurrada da epidemia e conservarem seus capitais políticos. Temos uma pandemia viral e um pandemônio na política local.

Por Mário Benning – Professor e Analista Político

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